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    Author: BogAdmin

    BoG / Articles posted by BogAdmin

    Black Friday? Não, obrigado.

    A Sociedade de Consumo em que vivemos é um sistema complexo de culturas, instituições. mercados, tecnologias e modelos de negócio, impulsionada pela lógica de crescimento infinito, pela procura do bem-estar e pelo consumismo, isto é, o estímulo de aquisição de bens que não necessariamente precisamos, tendo como consequência a insatisfação contante e o desejo insaciável por consumir.

    Os elevados níveis de consumo levaram a necessidades cada vez maiores de trabalho, endividamento, gastos excessivos, assim como também ocorreu uma diminuição da qualidade de vida e o aumento do stress. O excesso de consumo tem contribuído também para o rápido esgotamento dos recursos da Terra, para o aumento das emissões de GEE na atmosfera e para o aumento da produção de resíduos que, na maioria das vezes, não são encaminhados para destino final adequado ou, até, não são passíveis de serem reciclados.

    Somos uma Sociedade Consumista com um ímpeto frenético e, por vezes, irracional para o consumismo. Ao longo da história, aproveitando este impulso do ser humano, foram surgindo algumas datas e épocas especiais para explorar este comportamento.

    Black Friday: como tudo começou?

    O termo Black Friday, em português, “Sexta-feira Negra”, foi utilizado pela primeira vez no dia 24 de setembro de 1869, dia em que houve um crash em Wall Street, a bolsa de Nova Iorque. Tudo começou, quando dois especuladores, Jay Gould e Jim Fisk, se uniram para tentar comprar o máximo de quantidade de ouro do Estado, de forma a conseguirem impor depois um preço mais elevado e conseguirem obter lucros maiores.

    Depois disso, o termo “Sexta-feira Negra” voltou a ser utilizado em 1951 nos Estados Unidos da América, como forma de representar a sexta-feira a seguir ao dia da Ação de Graças e o facto de a maior parte dos trabalhadores ficarem alegadamente doentes para terem quatro dias seguidos de folga.

    Só nos anos 2000 é que a Black friday se assumiu como o dia com maior volume de compras do ano. Foi também nos anos 2000 que o termo se universalizou e começou a ser utilizado para definir o dia de promoções e descontos na última sexta-feira de novembro. Em Portugal, a Black friday cresceu a partir do ano de 2010, com vários descontos neste dia, em que as pessoas aproveitam para comprar presentes de Natal ou fazer compras para a casa, com a vantagem de contarem com o subsídio de Natal. A data tornou-se assim, numa data comercial.

    Todos os anos, marcas, profissionais de marketing, grandes superfícies comerciais e os próprios consumidores alinham as suas estratégias para celebrarem mais uma Black Friday. O apelo ao consumo massificado e descartável não é exclusivo desta época, mas intensifica-se e sempre que chegamos à reta final de mais um ano, assistimos ao mesmo fenómeno dos super descontos, em que os consumidores embarcam numa jornada desenfreada, fazendo do verbo “comprar” a sua missão número um.

    Alternativas à Black Friday

    Felizmente, assistimos gradualmente a uma mudança de paradigma, com uma sociedade mais alerta e consumidores mais conscientes. Surge, assim, o conceito de Green Friday, uma espécie de contrabalanço, que oferece uma alternativa mais ponderada e responsável à tradicional Black Friday.

    Na Green Friday a base do consumo mantém-se inevitavelmente, mas de forma mais moderada e disciplinada, com opções mais “verdes” e escolhas mais conscientes. As marcas, por convicção ou necessidade, começam a aderir à Green Friday, através de iniciativas como retomas ou troca de artigos antigos por benefícios, ações de compensação da pegada ecológica ou campanhas em que o valor das compras reverte para ações de caráter ambiental ou social

    Em 2012, surge também o Giving Tuesday, nos Estados Unidos da América. Esta iniciativa foi cofundada pelas Nações Unidas e pela 92StreetY. Hoje é uma organização autónoma, com o suporte da Fundação Bill & Melinda Gates. O objetivo é criar uma onda massiva de generosidade que dure para além do dia do Giving Tuesday e que atinja todas as pessoas do planeta sob o mote “dá para mudar”.

    Atualmente, é determinante incentivar os consumidores a comprar com critério, planear as suas compras, mostrar que existem alternativas, quais as consequências e qual o contributo que poderão estar a dar para um mundo mais sustentável. Pode sempre optar por comprar no comércio local, artigos em segunda mão, produtos artesanais, de baixo impacte e baixa escala, ou em marcas que partilhem dos seus valores sociais e ambientais.

    Antes de comprar algo, seja na Black Friday ou em qualquer outra altura do ano, pergunte-se: Preciso realmente de comprar este produto?

    Fontes:

    Antunes, R. P. (2019). Fact Check: A Black Friday. Publicado em Observador On Time, S.A.. Consultado em novembro de 2021, de https://observador.pt/factchecks/fact-check-a-black-friday-teve-origem-na-escravatura/

    Briefing (2021). Black Friday vs. Green Friday: de que lado queremos estar?. Artigo de opinião de Eurico Estêvão, Marketing Manager na Phenix Portugal. Consultado em novembro de 2021, de https://www.briefing.pt/opiniao/51292-black-friday-vs-green-friday-de-que-lado-queremos-estar.html

    Giving Tuesday (2021). Quem somos e como surgiu a ideia?. Consultado em novembro de 2021, de https://www.givingtuesday.pt/quem-somos/

    Greelane (2021). História & Cultura: Black Friday. Consultado em novembro de 2021, de https://www.greelane.com/pt/

    O “ABC” da 26ª Cimeira do Clima das Nações Unidas (COP26)

    O mundo reuniu-se em Gasglow, na Escócia, de 31 de outubro a 13 de novembro, para a 26ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26). A COP26 foi considerada “a última esperança” de conseguir limitar o aquecimento global, a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris.

    O que é a COP26?

    A COP é o órgão de tomada de decisões da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, que resultou da Cimeira da Terra realizada no Rio de Janeiro, em 1992.

    A primeira conferência da ONU sobre o clima realizou-se em Berlim, em 1995, e este ano realizou-se o 26º encontro, daí o nome COP26. O protocolo de Kyoto foi assinado na COP3, que decorreu nessa cidade japonesa em 1997, e o Acordo de Paris na COP21, que decorreu na capital francesa em 2015.

    A COP26 foi copresidida pelo Reino Unido e por Itália e estava inicialmente marcada para novembro de 2020, mas teve de ser adiada devido à situação pandémica do mundo. Cerca de 25 000 pessoas, entre políticos, cientistas, empresários, ativistas e jornalistas, entre outros, participaram na conferência ao longo destas quase duas semanas. Os primeiros dias da COP26 contaram com a presença de mais de uma centena de líderes mundiais, mas também foram marcadas por ausências de peso como a China e a Rússia.

    Qual a importância da Conferência das Partes?

    A conferência deste ano tem sido apresentada como a “última oportunidade” para o mundo assumir compromissos ambiciosos para evitar danos catastróficos para o planeta. Em 2015, os líderes mundiais comprometeram-se a limitar o aquecimento global a um aumento de 2 °C em relação aos valores pré-industriais, “desenvolvendo esforços” para que este ficasse abaixo dos 1,5 °C.

    Comprometeram-se também com cortes, não vinculativos, nas emissões de dióxido de carbono de forma a alcançar esse objetivo, tendo sido incluindo um mecanismo de revisão desses compromissos a cada cinco anos, sendo esta a primeira COP em que estes têm de ser apresentados.

    Quais os objetivos da COP26?

    1. MITIGAR

    Assegurar as emissões zero em 2050 e limitar o aquecimento global em 1,5 °C. Cada país estabelece as Contribuições Nacionalmente Determinadas (CND). Estes têm, também, de apresentar metas mais ambiciosas de redução das emissões para 2030.Para cumprir essas metas, os países devem:

    • acelerar a eliminação do carvão;
    • reduzir a desflorestação;
    • estimular o investimento em energias renováveis;
    • acelerar a mudança para veículos elétricos.

    2. ADAPTAR

    Os países devem adaptar-se para proteger comunidades e habitats naturais. Na COP26, os países foram chamados a trabalhar em conjunto para ajudar as comunidades mais afetadas pelas alterações climáticas a:

    • Proteger e restaurar os ecossistemas;
    • Construir sistemas de alerta e defesa, assim como infraestruturas resilientes que evitem a perda de bens materiais e até mesmo vidas.

    3. FINANCIAR

    Para concretizar os dois primeiros objetivos, os países com elevados rendimentos devem cumprir a sua promessa, estabelecida no Acordo de Paris, de mobilizar para os países com baixos rendimentos pelo menos 86 mil milhões de euros (ou 100 mil milhões de dólares) por ano, a partir de 2020.

    4. COLABORAR

    Os países devem colaborar para alcançar os objetivos e desafios comuns da crise climática. Por isso durante a COP26 os países tiverem de:

    • Finalizar o Livro de Regras de Paris, isto é, as regras detalhadas que tornam o Acordo de Paris operacional;
    • Acelerar as ações para enfrentar a crise climática, através da colaboração entre governos, empresas e sociedade.

    O que ficou decidido?

    Vários acordos foram realizados ao longo destas duas semanas de negociações. De seguida destaca-se, de forma resumida, os novos acordos sobre a proteção das florestas, o carvão, as emissões de metano e a adaptação às alterações climáticas.

    Proteção das florestas

    Um total de 141 países assinaram a Glasgow Leaders’ Declaration on Forests and Land Use em que se comprometem a deter a desflorestação até 2030, a restaurar terras degradadas, a combater incêndios e apoiar comunidades indígenas.

    Esta iniciativa beneficiará de financiamento público e privado de 16,5 mil milhos de euros (19,2 mil milhões de dólares).

    Carvão

    Alguns países como o Canadá, a Coreia do Sul, a Indonésia, a Polónia, a Ucrânia e o Vietname, assinaram o Global Coal to Clean Power Transition Statement. Neste documento comprometem-se a deixar de produzir energia a partir do carvão, sem tecnologia de captura de CO2, até 2030 (para as economias mais desenvolvidas) e até 2040 (para as economias em desenvolvimento), assim como a acabar com principais fontes de financiamento internacional e com o financiamento do carvão por parte de bancos e instituições financeiras.

    Destaque para a ausência, neste compromisso, de economias altamente consumidoras de carvão, como a Austrália, a China, os Estados Unidos da América e a Índia.

    Metano

    O Global Methane Pledge é uma iniciativa da União Europeia e dos Estados Unidos da América e que conta com mais de 100 países signatários. Neste acordo é estabelecida uma meta de redução das emissões de metano em 30% até 2030, comparativamente ao ano de 2020. São também comtempladas melhorias na quantificação das emissões de metano.

    Financiamento climático

    A meta do Acordo de Paris de mobilização anual de 86 mil milhões de euros para apoiar os países com baixo rendimento na transição climática está ainda está por cumprir. No entanto, foi anunciado a disponibilização suplementar de 1 700 milhões por parte do Japão que permitirá alcançar o objetivo em 2022.

    Pode consultar todos os acordos realizados durante a COP26 aqui (https://ukcop26.org/the-conference/cop26-outcomes/).

    Pacto Climático de Glasgow

    A Conferência tinha fim marcado para sexta-feira, dia 12 de novembro, mas como habitualmente prolongou-se por mais um dia devido às divergências sobretudo relativamente à questão do carvão.

    A declaração conjunta que saiu da COP26, assinada por todos os países, mantém a ambição de conter o aumento da temperatura em 1,5 °C acima dos valores da era pré-industrial, quer reduzir as emissões de CO2 em 45% até 2030, em relação a 2010, promete mais apoios financeiros a países com baixo rendimento para combate e adaptação às alterações climáticas e regula o mercado do carbono.

    A Índia solicitou uma última alteração ao texto que suaviza o compromisso de por termo ao apelo ao fim do uso de carvão, que consiste na alteração do parágrafo em que se defendia o fim progressivo (“phase-out”) do uso de carvão por uma redução progressiva (“phase down”). Esta proposta foi aceite, mas com manifestações de desagrado de várias delegações.

    São pontos essenciais do Pacto Climático de Glasgow:

    • Reconhecimento da importância dos relatórios científicos, nomeadamente do Painel Intergovernamental para a Alterações Climáticas (IPCC). Esta entidade, no seu relatório mais recente, advertiu para o risco de se atingir o limiar de 1,5 °C por volta de 2030, cerca de dez anos mais cedo do que o estimado anteriormente;
    • O Pacto demonstra “enfatiza a urgência” de serem tomadas medidas de mitigação, adaptação e financiamento na implementação do Acordo de Paris de 2015, sobre redução de emissões de GEE;
    • Numa referência ao facto de não terem sido cumpridos os objetivos de financiamento climático até 2020, o Pacto indica que o financiamento climático para medidas de adaptação continua a ser insuficiente e apela para que os países com elevados rendimentos concretizem o financiamento o mais rapidamente possível, e até 2025. O Pacto “apela” também ao envolvimento de bancos multilaterais de desenvolvimento, outras instituições financeiras e o setor privado para ajudar no esforço;
    • No documento reconhece-se explicitamente a necessidade no corte das emissões de CO2 em 45% até 2030. O texto final da COP26 demonstra preocupação com as NDC de cada país para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, e enfatiza a necessidade urgente de os países comunicarem essas NDC;
    • Relativamente aos combustíveis fósseis, o texto final aprovado menciona a “intensificação dos esforços” para reduzir o carvão e eliminar os subsídios a combustíveis fósseis;
    • O apoio prestado para catástrofes naturais provocadas pelas alterações climáticas, as perdas e danos, foram discutidos. Foi reiterada a urgência de aumentarem os apoios, financeiros e de tecnologia, para minimizar e enfrentar as perdas e danos, reforçando também parcerias entre países ricos e pobres.
    • A COP26 aprovou o Livro de Regras do Acordo de Paris, o que não tinha sido possível em reuniões anteriores. Trata-se das regras regulamentação do mercado de carbono (Artigo 6 do Acordo de Paris) que se destina a ajudar a reduzir as emissões CO2.

    O primeiro esboço que estava repleto de ambição foi lapidado, aos poucos, pelos representantes mundiais, que produziram um pacto climático preenchido de condicionantes e com muito trabalho por fazer. Durante a COP26 foram abordados tópicos essenciais como a proteção das florestas e a desigualdade de género associada às alterações climáticas, no entanto, foram deixados de lado alguns aspetos como a participação mais ativa de ONGs e membros da sociedade civil nas negociações, assim como a entrega dos NDC de cada país e o estabelecimento de metas mais rigorosas e ambiciosas.

    A conferência deste ano foi uma etapa importante, com progressos em determinadas áreas, mas não foi o suficiente. No entanto, se o texto final não agrada inteiramente, não deixa de ser uma base importante para progressos futuros e para tentarmos lá chegar.

    Fontes:

    Capital Verde (2021). Ponto por ponto, afinal o que ficou decidido na COP26?. Publicado a 15 de novembro de 2021. Acedido em novembro de 2021, de https://eco.sapo.pt/2021/11/15/ponto-por-ponto-afinal-o-que-ficou-decidido-na-cop26/

    United Nations (2021). Glasgow Climate Pact. Conference of the Parties serving as the meeting of the Parties to the Paris Agreement, Third session, Decision 1/CMA.3. Glasgow, 31 October to 12 November 2021

    United Nations e UK Government (2021). COP 26 Goals. Acedido em novembro de 2021, de https://ukcop26.org/

    United Nations & UK Government (2021). COP 26 Outcomes. Acedido em novembro de 2021, de https://ukcop26.org/the-conference/cop26-outcomes/

    United Nations e UK Government (2021). UN Climate Change Conference UK 2021. Acedido em novembro de 2021, de https://ukcop26.org/

    Educação Ambiental para Adultos

    O desenvolvimento científico, tecnológico e industrial aumenta progressivamente a pressão sobre o meio ambiente e conduz a problemas já conhecidos por todos, tais como alterações climáticas, aquecimento global, poluição, perda de biodiversidade, desequilíbrio dos ecossistemas e tantos outros.

    Falar de temas relacionados com o meio ambiente pode ser um “bicho de sete cabeças” e, por vezes, um tanto ao quanto desencorajador. Vivemos no mundo onde há informações, factos e dados para quase tudo, mas que de pouco servem se não reconhecermos que os factos são sempre interpretáveis e que podem não chegar da melhor forma a todos, podendo existir várias opiniões baseadas no mesmo facto.

    Educação Ambiental para Todos

    Numa sociedade em estado de alerta no que respeita aos efeitos visíveis das Alterações Climáticas, torna-se crucial promover a literacia ambiental desde cedo, com a certeza de que esta é uma via para acelerar o desenvolvimento na procura de soluções comuns.

    A Educação Ambiental de jovens e adultos pode ser uma valiosa ferramenta através da qual é possível adquirir conceitos, identificar problemas ambientais, procurar soluções para mitigar esses problemas, promover hábitos e comportamentos mais ecológicos, etc. Deve promover mudanças na qualidade de vida e maior consciência da conduta pessoal, assim como harmonia entre os seres humanos e destes com outras formas de vida.

    Assim como a educação, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, em inglês Treaty on Environmental Education for Sustainable Societies and Global Responsibilty, é um documento dinâmico e em permanente construção que propicia a reflexão, o debate e a sua própria modificação.

    Este Tratado conta com 16 Princípios, dos quais se destaca que a Educação Ambiental:

    • É um direito de todos, somos todos aprendizes e educadores;
    • Deve ter como base o pensamento crítico e inovador, em qualquer espaço temporal ou físico, no contexto formal, não formal e informal, promovendo a transformação e a construção da sociedade;
    • É individual e coletiva e tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e mundial;
    • Deve envolver uma perspetiva holística, focar a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar.
    • Deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito dos direitos humanos;
    • Valoriza as diferentes formas de conhecimento. Este é diversificado, acumulado e produzido socialmente, não devendo ser monopolizado;
    • Deve ser planeada com o objetivo de capacitar as pessoas a trabalharem de forma justa e humana;
    • Deve promover a cooperação e o diálogo entre indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novas formas de viver que considerem as necessidades básicas de todos, sem distinções étnicas, físicas, de género, idade, religião ou de classe social;
    • Requer a democratização dos meios de comunicação e o seu compromisso com os interesses de todos os setores da sociedade. Os meios de comunicação devem ser canais privilegiados de educação, não apenas com a disseminação de informações de bases igualitárias, mas também promovendo a troca de experiências, métodos e valores.

    A Educação Ambiental para uma sustentabilidade equitativa é um processo de aprendizagem permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida, que contribui para a transformação humana e social, para a preservação ecológica, para a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam entre si uma relação de interdependência e diversidade. Este processo requer de aprendizagem requer uma responsabilidade individual e coletiva a nível local, nacional e planetário.

    Educação, empatia e justiça climática

    A justiça climática, assim como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, reconhece a necessidade de responsabilização mútua, ação coletiva e de ter consideração, numa perspetiva de equidade, o impacte muitas vezes desproporcionado das alterações climáticas nos cidadãos e nas comunidades das economias desenvolvidas e em desenvolvimento.

    O conceito de “justiça climática” enquadra as alterações climáticas enquanto uma questão política e ética e não apenas como uma questão estritamente ambiental. O conceito é, regra geral, encarado num “contexto global de interdependência espacial e temporal, centrado nas responsabilidades dos países cuja prosperidade se baseou na exploração dos recursos naturais e reconhece que os grupos mais vulneráveis e mais pobres da sociedade são, não raras exceções, as principais vítimas dos efeitos das alterações climáticas, apesar de esses grupos sociais serem os menos responsáveis pelas emissões que conduziram à crise climática”

    A defesa por uma justiça climática deve afastar-se da suposição genérica de que a população não tem quaisquer conhecimentos ou interesses nas questões ambientais, ou, pior ainda, que estes devam ser envergonhados ou diminuídos por terem menos conhecimento sobre determinados temas.

    Os modelos de déficit de informação ou de conhecimento (deficit educational models), frequentemente utilizados na Educação Ambiental, baseiam-se no aumento do conhecimento ou preenchimento de lacunas de conhecimento como a principal via para atingir a mudança, alterar os hábitos e comportamentos. Este fluxo de conhecimento top-down cria uma hierarquia entre o especialista (detentor do conhecimento) e o público, aborda unilateralmente grupos sociais, muitas vezes com origens socioculturais diversas, e pode intensificar a polarização e a hostilidade ao invés de promover a procura de soluções comuns e justas.

    A educação para a empatia e com empatia é apontada por Pat Dolan, presidente da UNESCO Children, Youth, and Civic Engagement, como o caminho a seguir na Educação Ambiental. Trata-se de valorizar, respeitar, compreender a visão de outra pessoa e procurar o consenso mais do que um acordo completo, isto é, procurar e encontrar pontos de interseção comuns, que favoreçam o diálogo sobre estas temáticas. As abordagens empáticas para a justiça climática podem levar a uma maior alteração social, bem como a uma sociedade mais conectada e um mundo mais justo e sustentável.

    Por fim, deixamos algumas fontes de informação que englobam temas relevantes da sustentabilidade e que podem ajudar a compreender e acompanhar os avanços e retrocessos das alterações no planeta e, consequentemente, na sociedade.

    Um mundo mais sustentável e justo dependerá sempre do equilíbrio, do diálogo, do respeito, da tolerância e da empatia.

    Fontes:

    Comité Económico e Social Europeu (2017). Justiça climática. NAT/712: Parecer da iniciativa

    Dentith, Audrey M.; Burke, Emily Kearns; Conmy, Kris; Frimpong, Daniel K.; Nadeau, Barbara; Sanders,Elizabeth; Saunders, Jennifer; Winfrey, Nancy; and Herchel, Sarah (2014). “Adult Environmental Education and the Cultural Commons: A Study of Community Practices for a Just and Sustainable World”. Adult Education Research Conference. https://newprairiepress.org/aerc/2014/symposia/1

    DVV International (s.d.) Education for Everyone: Environmental Education for Young People and Adults. Consultado em outubro de 2021. URL: https://www.dvv-international.de/en/adult-education-and-development/editions/aed-762011/environmental-education/reaja-environmental-education-for-young-people-and-adults

    European Association for the Education of Adults (s.d.). Why Adult Education? – Sustainability. Consultado em outubro de 2021. URL: https://eaea.org/why-adult-education-2/sustainability/

    Ndulor, C., et al. (2019). Environmental Adult Education (EAE) as a tool for promoting environmental stewardship practices in Nigeria. British Journal of Education Vol.7, No.7, pp.111-120. Published by European Centre for Research Training and Development UK (www.eajournal.org)

    Educação Ambiental para Crianças

    A Educação Ambiental pretende incentivar as crianças (e os adultos, claro) a familiarizem-se com o conceito de sustentabilidade, associado a uma responsabilidade intergeracional, assim como promover a reflexão sobre as causas de alterações climáticas, proteção da biodiversidade e proteção do território e da paisagem, entre outros temas relacionados com o ambiente.

    Se falarmos da crise ambiental e climática que estamos a atravessar, sabemos que as gerações atuais são as maiores responsáveis por estes problemas, pelo que também têm de ser as que os vai solucionar, ou pelo menos tentar. Educar as gerações futuras para que não cometam os mesmo erros e procurem ativamente soluções é um dever de todos enquanto sociedade.

    Hoje, apresentamos algumas sugestões para falar de temas ambientais com as crianças.

    1. Dar o exemplo

    “Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”, o ditado é velho e não se deve aplicar com as crianças. As crianças copiam comportamentos, por vezes, não prestam atenção ao que lhes dizem, mas observam atentamente o que fazemos, replicando as nossas atitudes.

    Sugerimos algumas dicas:

    • Cronometrar os banhos é uma ideia divertida e que vai colocar toda a família a correr para ser o mais rápido;
    • Não utilizar água engarrafa, optando por beber água da torneira;
    • Descartar os resíduos de forma correta;
    • Utilizar menos o carro;
    • Desligar a torneira quando está a escovar os dentes ou esfregar a loiça;
    • Treinar o desapego e reduzir o consumo.

    2. Promover a ligação com a Natureza

    A ligação à natureza torna as crianças mais felizes e com comportamentos mais sustentáveis e ecológicos indica um estudo divulgado publicado na revista Fronteiras em Psicologia. Este estudo, liderado por Laura Berrera-Hernández, do Instituto Tecnológico de Sonora, no México, mostrou, pela primeira vez, que a ligação com a natureza deixa as crianças mais felizes, pela tendência para comportamentos virados para a ecologia.

    Mesmo para quem vive na cidade, existem sempre opções para aproximar as crianças da Natureza:

    • Criar uma horta em casa;
    • Marcar visitas guiadas em oceanários, quintas pedagógicas, jardins botânicos, museus de história natural, museus de ciência, etc.
    • Fazer passeios pela natureza, na floresta, na praia, no campo ou na montanha;
    • Organizar piqueniques, limpezas de lixo e plantações de árvores;
    • Colecionar tesouros naturais em herbários e livros de campo.

    3. Oferecer entretenimento de qualidade

    Nem tudo tem de ser pedagógico, mas tudo contribui para a cultura dos mais pequenos. Pode optar por colocar filmes que falem de temas como ambiente, racismo, igualdade e culturas diferentes, assim como pode ler livros sobre temas variados com perspetivas diferentes sobre os mesmos assuntos. Outra opção é mostrar documentários ou filmes e conversar sobre o tema que estão a ver, ou até escolher videojogos que incentivem comportamentos mais positivos.

    Aqui estão algumas sugestões:

    1. Wall-E (2008): esta história cheia de aventuras é ideal para explicar a sobrecarga da Terra e o valor perdido com o desperdício.

    2. Avatar (2009): este enredo passa-se num planeta de Natureza exuberante que a humanidade quer destruir para explorar um minério valioso. É uma história de amor e sobrevivência, ótima para explicar a sobre-exploração de recursos, o colonialismo e o capitalismo às crianças.

    3. LORAX (2012): este filme é uma ótima razão para explorar e discutir a destruição, conservação e restauração do meio ambiente.

    4. Um Oceano de Plástico (2016): é um documentário sobre as consequências do nosso estilo de vida, baseado em plástico descartável, e um testemunho da destruição que estamos a causar às aves marinhas, tartarugas, mamíferos marinhos e peixes.

    5. Pachamama, uma aventura nos Andes (2018): um filme de animação que conta a história de duas crianças numa aventura em busca de um símbolo sagrado no período do império Inca, no Peru. Aborda questões como ataques dos colonizadores, mostra a cultura dos povos locais, permitindo conversar sobre política, Natureza, sustentabilidade e muito mais.

    6. Os Octonautas (2020 e 2021): É ideal para os mais pequenos. Os Octonautas são uma brigada de oito intrépidos exploradores subaquáticos dedicados a salva a vida marinha e em melhorar as coisas no fundo do mar. Aborda temas como a biodiversidade marinha, a importância das barreiras de coral, o papel das pradarias marinhas e a alimentação sustentável.

    4. Fazer perguntas

    É importante criar tempo para ouvi-los, garantindo que a criança sabe que estamos realmente interessados e a ouvi-la atentamente. Falar COM os nossos filhos e não PARA os nossos filhos, mostrando interesse e escutando com atenção as suas dúvidas.

    Iniciar uma conversa partilhando aquilo que pensamos sobre determinado assunto do foro ambiental, em vez de começar a conversa com uma questão.

    As crianças aprendem mais pela descoberta e a criatividade do que pela exposição. Aproveite a idade dos “Porquês?” e pergunte às crianças se conhecem os seus direitos e deveres e ouça-as. Sugira também que desenhem o planeta, todos os recursos que nela existem e os serviços que providenciam à humanidade.

    Com estas dicas não vão faltar ideias para falar da proteção da biodiversidade, crise climática e outros tantos temas com as crianças. E brinquem, brinquem muito com as vossas crianças!

    “Expedição H2O – À Descoberta do Valor da Água”

    A água é um recurso natural precioso e um bem imprescindível a todas as formas de vida na Terra, devendo ser gerido de forma sustentável. O desenvolvimento sustentável não é possível sem uma gestão dos recursos hídricos que garanta a sua disponibilidade para todos, assim como a preservação da sua qualidade, em linha com o definido pela Agenda 2030.

    A educação é a chave para o progresso e as crianças em idade escolar são fundamentais no que toca à consciencialização para a importância e valorização dos recursos naturais. Esta é a premissa para desenvolvimento do Projeto “Expedição H2O – À Descoberta do Valor da Água” que se foca na educação ambiental de crianças e jovens em idade escolar através de uma abordagem pedagógica e didática às várias temáticas associadas a uma utilização sustentável dos recursos, contribuindo para o fortalecimento da participação dos cidadãos e da capacitação e sensibilização para a redução do consumo, promovendo uma cidadania ativa no domínio do desenvolvimento sustentável.

    O Projeto “Expedição H2O – À Descoberta do Valor da Água” contempla o desenvolvimento e disseminação de um conjunto de materiais didáticos, incluídos no kit “Expedição H2O”, direcionados para as crianças dos 6 aos 10 anos, a utilizar em contexto educativo formal e informal, nomeadamente salas de aula, ATL’s, centros de estudo, em casa, entre outros.

    Este Projeto Educativo está enquadrado no Programa “Apoiar uma nova cultura ambiental, no âmbito da Estratégia Nacional de Educação Ambiental (ENEA 2020) – Saúde de qualidade, água e cidades e comunidades sustentáveis” – Edição de 2021, promovido pelo Ministério do Ambiente e Ação Climática através do Fundo Ambiental. A BoG desenvolveu e apresentou a sua candidatura tendo a mesma vindo a ser aprovada entre as 23 das 78 apresentadas.

    Objetivos e atividades a desenvolver

    Em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, nomeadamente o ODS 6 “Água Potável e Saneamento” e ODS 12 “Produção e Consumo Sustentáveis”, o projeto “Expedição H2O” tem como objetivo educar crianças em idade escolar, para a tomada de decisão consciente, relativamente a questões relacionadas com a água e a sua valorização, promovendo sua alteração de comportamentos e, consequentemente, das famílias e comunidade.

    Assim, para a prossecução do objetivo geral deste projeto, foram definidos objetivos específicos, que se relacionam com as atividades a desenvolver. O projeto será concretizado através das seguintes ações:

    A1. Conceção de materiais didáticos do kit ”Expedição H2O”;

    A2. Comunicação e Divulgação do Projeto;

    A3. Dinamização de Trocas de Experiências na Comunidade Escolar;

    A4. Monitorização e Relatórios.

    Kit “Expedição H2O”

    A água é uma constante no dia-a-dia, em tarefas diárias comuns, básicas à vida, mas nem sempre nos lembramos do quão importante é.

    Este é o mote para o desenvolvimento dos materiais didáticos e pedagógicos, com os quais os alunos vão descobrir todos os segredos da água e explicar ao “Atlântico”, um aluno que se esqueceu deste recurso precioso, como preservá-la e geri-la melhor.

    A “Expedição H2O – À descoberta do valor da água” permitirá aos professores/educadores/encarregados de educação trabalhar a temática da água e dos recursos naturais, transmitir boas práticas ambientais aos mais novos, para que se tornem agentes de mudança juntos das suas famílias e na comunidade.

    O kit contém um livro infantil, um vídeo musicado, fichas de atividades, desafios, jogos e experiências pedagógicas, abordando diversas temáticas relacionadas com a água. Todas as atividades serão acompanhadas de uma ficha pedagógica, que apoiam o professor/educador/encarregado de educação na execução da atividade e na explicação dos conceitos associados a cada uma.

    O projeto pretende, ainda, promover a troca de experiências entre a comunidade escolar, otimizando a concretização das atividades e aumentando o alcance do projeto. Envolver-se-ão pelo menos 300 escolas e 15000 crianças em idade escolar, através de pelo menos 100 edições físicas do kit “Expedição H2O”.

    Fique atento às novidades… Entre na Expedição H2O e (re)descubra o valor da água e a sua importância nas nossas vidas!

    Poupar o ambiente a conduzir

    O setor dos transportes tem vindo a registar progressos no que respeita à redução das emissões de CO2, sendo o desenvolvimento tecnológico o maior responsável no cumprimento desse objetivo. De acordo com o World Business Council for Sustainable Development, a mobilidade sustentável “é a capacidade de dar resposta às necessidades da sociedade em deslocar-se livremente, aceder, comunicar, transacionar e estabelecer relações, sem sacrificar outros valores humanos e ecológicos, hoje e no futuro”.

    Nas últimas semanas falamos deste conceito e das alternativas que existem à mobilidade convencional. No entanto, se focarmos a questão do transporte individual e da aquisição de veículos elétricos, facilmente se conclui que nem sempre são uma opção viável para as famílias portuguesas, pelos custos de aquisição por vezes mais elevados que um veículo dito convencional ou, até, pela impossibilidade de carregar o veículo em casa. Assim, mesmo com os apoios do estado, em 2020, apenas 5,39% dos veículos vendidos em Portugal foram elétricos, face a um total de 145 137 veículos adquiridos. Por sua vez, os híbridos Plug-In e híbridos elétricos representaram, respetivamente, 13,57% e 8,20% das vendas.

    A título de exemplo, o Incentivo pela Introdução no Consumo de Veículos de Baixas Emissões, financiado pelo Fundo Ambiental, aplica-se a veículos 100% elétricos que integram diferentes tipologias de apoios e beneficiários distintos, nomeadamente: ligeiro de passageiros, logística urbana e mobilidade ativa ciclável e duas rodas. As candidaturas para este Incentivo estão abertas até 30 de novembro de 2021. Outro apoio disponibilizado é o Programa de Apoio à Mobilidade Elétrica na Administração Pública. Cada um dos Incentivos à Aquisição de Veículos Elétricos tem regras específicas referente aos veículos e utilizadores elegíveis para a candidatura.

    Apesar do cenário atual, que nos mostra uma maioria de veículos movidos a combustíveis fósseis, é sempre possível a adoção de hábitos de condução mais eficiente e seguros, que se traduzem numa redução dos consumos de combustível e, consequentemente, na emissão de poluentes, contribuindo ainda para a promoção da segurança rodoviária.

    O que é a Eco-condução?

    A Eco-condução é uma forma de condução eficiente que permite reduzir:

    • o consumo de combustível;
    • a emissão de gases poluentes (principalmente óxidos de azoto e de enxofre) e de partículas resultantes da insuficiente combustão dos hidrocarbonetos;
    • a emissão de gases com efeito de estufa (GEE), sobretudo dióxido de carbono ( CO2), que contribuem para o aquecimento global;
    • a sinistralidade, tendo em conta que se diminuem as acelerações bruscas e as travagens, tornando a viagem também mais confortável.

    Neste sentido, o conceito de Eco-condução tem sido alvo de grande interesse em toda a Europa, nomeadamente ao nível do desenvolvimento de projetos que promovam boas práticas na condução, nomeadamente na Holanda, Finlândia, Espanha, Áustria, entre outros, sendo que em alguns destes países foram já implementados programas dedicados exclusivamente a este tema à escala nacional. Em Portugal têm vindo a ser desenvolvidas algumas iniciativas pontuais.

    Fique a conhecer as regras de ouro da eco-condução.

    Conselhos práticos para uma Eco-condução

    1. A escolha do carro terá implicações significativas ao nível dos consumos, das emissões e da segurança. Na compra do carro, pode ter em conta os seguintes aspetos: o tipo de combustível, a potência, a indicação dos consumos e das emissões, a aerodinâmica e todas as indicações sobre a eficiência e manutenção do veículo. Nos veículos novos, os consumos podem apresentar variações entre os 4 e 15 litros/100 Km. Quanto às emissões de CO2 dos veículos novos, estas podem oscilar entre os 115 e os 280 g/km;

    2. Ligar o motor do carro imediatamente antes do início da viagem e desligar o carro sempre que imobilizado mais do que um minuto;

    3. Conduzir a uma velocidade o mais constante possível. Reduzir o número de acelerações e travagens, especialmente as bruscas, melhora os consumos médios e aumenta o conforto durante a viagem. De acordo com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, I.P., a poupança é de 15% de combustível conduzindo a 80 Km/h, em vez de 100 Km/h;

    4. Utilizar uma mudança alta na caixa de velocidades. Uma mudança alta contribui para uma rotação mais baixa e, por isso, uma redução no consumo de combustível. Com esta prática, o potencial de poupança é cerca de 10%;

    5. Sabia que, um aumento de 10% na velocidade pode provocar um aumento de 15% no consumo de combustível? Neste sentido, cumprir os limites de velocidade permite economizar combustível e contribuir para a segurança rodoviária;

    6. Manter o veículo engrenado nas descidas acentuadas. Em descidas com inclinação acentuada, pode manter o carro engrenado numa mudança compatível (travar com o motor). É mais seguro e o consumo de combustível é nulo.

    7. Adaptar a velocidade do veículo ao tráfego e evitar mudar de via de trânsito;

    8. Escolher o melhor percurso nas deslocações e tentar antecipar o fluxo de trânsito. Uma viagem bem planeada é um bom recurso para poupar combustível. O potencial de poupança é de 5%;

    9. Antecipar o fluxo de trânsito e escolher o melhor percurso. Esta é uma das medidas que permite poupar, aproximadamente, 5% do combustível;

    10. Evitar transportar bagagens no tejadilho da viatura. A alteração das características aerodinâmicas do veículo aumenta, em cerca de 5%, o consumo de combustível;

    11. Retirar toda a carga desnecessária do porta-bagagens e assentos traseiros. Neste caso, o potencial de poupança ronda os 3%;

    12. Evite utilizar o automóvel em deslocações curtas. Em viagens curtas, em vez de usar o automóvel, pode usar os transportes públicos ou optar por caminhar. Poupa combustível, reduz as emissões para o meio ambiente e pode contribuir para o seu bem-estar físico;

    13. Utilizar o ar condicionado com moderação. O sistema de ar condicionado pode consumir até meio litro de combustível por hora e, no início de cada viagem, pode representar um aumento de consumo de cerca de 10%;

    14. Verificar, todos os meses, a pressão dos pneus. A pressão errada obriga à substituição antecipada dos pneus. Uma pressão demasiado baixa aumenta a resistência de rolamento (desgaste lateral) e o consumo de combustível. Por outro lado, uma pressão demasiado alta provoca um desgaste no centro do pneu e uma menor aderência na condução. A pressão correta permite uma poupança até 3%;

    15. Manter o veículo afinado e verificar o nível do óleo com regularidade. Esta medida permite um potencial de poupança de 3%.

    16. Utilizar os transportes públicos permite economizar tempo, dinheiro e diminuir o stress, ao mesmo tempo que contribui para a melhoria da qualidade do ar nas cidades;

    17. Considerar a partilha de automóvel em deslocações para o trabalho ou de lazer.

    Como vemos, o papel do condutor e o tipo de condução praticada pelo mesmo têm influência muito significativa nos consumos médios, independentemente do veículo conduzido. Mesmo em veículos mais antigos é possível aplicar muitas das técnicas de eco-condução. Comece a aplicar estas regras de eco-condução, poupe no ambiente… e na carteira!

    Fontes:

    Fundo Ambiental (2021). 3ª Fase do Programa de Apoio à Mobilidade Elétrica na Administração Pública. URL: https://www.fundoambiental.pt/avisos-2021/mitigacao-das-alteracoes-climaticas/3-fase-do-programa-de-apoio-a-mobilidade-eletrica-na-administracao-publica-parte-3.aspx, acedido em outubro de 2021

    Fundo Ambiental (2021). Incentivo pela Introdução no Consumo de Veículos de Baixas Emissões. URL: https://www.fundoambiental.pt/avisos-2021/mitigacao-das-alteracoes-climaticas/incentivo-pela-introducao-no-consumo-de-veiculos-de-baixas-emissoes-2021.aspx, acedido em outubro de 2021

    IMT (2021). Eco-condução. URL: https://www.imt-ip.pt/sites/IMTT/Portugues/Condutores/Ecoconducao/Paginas/Ecoconducao.aspx, acedido em outubro de 2021

    IMT (s.d.). Manual de Eco-condução. Elaborado no âmbito do Projeto Eco-Condução Portugal, promovido pela ACAP e apoiado pelo IMTT. URL: https://www.imt-ip.pt/sites/IMTT/Portugues/Condutores/Ecoconducao/Paginas/Ecoconducao.aspx, acedido em outubro de 2021

    IMTT (s.d.). Mobilidade Sustentável: Introdução à temática da Eco-Condução. Gabinete de Planeamento Avaliação e Inovação, Lisboa

    SIC (2016). Dicas para poupar combustível. Reportagem realizada pelo jornalista Pedro Andersson do programa Contas Poupança e transmitida no dia 10 de novembro de 2016. URL: https://www.youtube.com/watch?v=kMgOzDm5fNY, acedido em outubro de 2021

    UVE (2021). Vendas de Veículos Elétricos em Portugal. URL: https://www.uve.pt/page/vendas-de-veiculos-eletricos-em-portugal/, acedido em outubro de 2021

    Hidrogénio: A energia do futuro?

    Há muito que se procuram soluções alternativas aos motores alimentados por combustíveis fósseis. Se recuarmos à origem do automóvel, existem modelos elétricos que não progrediram por questões de autonomia, peso elevado das baterias e tempo de carregamento, fatores que, apesar de todos os progressos tecnológicos, continuam a ser os principais desafios dos fabricantes automóveis mundiais.

    Os carros movidos a células de combustível são outra solução estudada mais intensivamente desde a crise do petróleo nos anos 70 do século passado, apesar do conceito Fuel cell ser ainda mais antigo do que o próprio automóvel.

    Várias marcas, como a Honda, Toyota e Hyundai, têm-se distinguido no desenvolvimento de veículos com motor Fuel Cell, sobretudo no sector dos comerciais pesados, dado que é mais simples a instalação dos tanques para armazenamento de hidrogénio.

    O que é o hidrogénio?

    O Hidrogénio (H2) é o elemento químico mais abundante no Universo, o mais leve e oferece uma elevada densidade energética por unidade de massa (33 kWh/kg), isto é, três vezes mais energia por unidade de massa que a gasolina e 2,5 vezes mais do que o gás natural”. Este composto primordial, constituído quimicamente por um único electrão em torno do núcleo, ao ser extremamente leve e com forças de ionização baixas permite extrair o electrão que orbita, ionizando o Hidrogénio. Este electrão é suficiente para produzir uma corrente eléctrica, desde que se consiga um fluxo constante de hidrogénio e algo capaz de levar à sua ionização.

    O que é um FCEV?

    O FCEV (Fuel Cell Electrical Veicule) é um automóvel híbrido que se movimenta através de um motor elétrico, que utiliza eletricidade proveniente de baterias. Estas baterias são carregadas com energia elétrica proveniente das Fuel Cell ou pilha de combustível que funciona como uma estação produtora de eletricidade, através da reação química entre hidrogénio e oxigénio.

    Em resumo, um veículo a hidrogénio é, fundamentalmente, um veículo elétrico que, em vez de baterias, tem um depósito de hidrogénio e uma pilha de combustível que converte hidrogénio em eletricidade.

    O maior problema é o hidrogénio não ser encontrado isoladamente na natureza, mas sempre em combinação com outros elementos, como o oxigénio, carbono, etc. Este também só se transforma em líquido a temperaturas da ordem dos -250°C, o que dificulta o modo de abastecimento. Os depósitos criogénicos permitem atingir tais temperaturas, mas o seu custo ainda é muito elevado.

    O vídeo seguinte do The Economist tenta responder às seguintes questões:

    • Como é produzido o hydrogen fuel?
    • Como pode ser utilizado?
    • É seguro?
    • Quais as vantagens do hidrogénio em comparação com as baterias?
    • Utilizar hydrogen fuel é sustentável?

    O Papel do Hidrogénio na Transição Energética

    Até hoje, a transição energética tem sido fundamentalmente conduzida de duas formas:

    • Substituição direta dos combustíveis fósseis na geração de eletricidade, através da produção de energia hídrica, eólica e solar;
    • Eletrificação de consumos, substituindo o uso de combustíveis fósseis pela utilização de eletricidade, como por exemplo a substituição do gás por eletricidade na confeção de alimentos e no aquecimento de águas, ou a substituição de veículos com motor de combustão por veículos elétricos.

    Contudo, existem alguns setores económicos, nomeadamente a indústria e os transportes, em que a eletrificação dos consumos é mais difícil de alcançar, quer do ponto de vista técnico, quer económico. O hidrogénio pode ser uma solução no setor dos transportes. Nem todos os veículos, nomeadamente os pesados de mercadorias, são facilmente substituídos por veículos elétricos que armazenam a energia em baterias.

    Um dos maiores desafios da utilização massiva de fontes renováveis na geração de eletricidade é garantir o equilíbrio entre o que está a ser consumido e o que está a ser produzido. A armazenagem continua a ser um problema e a utilização de tecnologias de armazenamento é fundamental para garantir este balanço. É também aqui que o hidrogénio pode ter um papel relevante, ao complementar outras tecnologias de armazenamento como as baterias.

    A figura seguinte sumariza os sete papéis que o hidrogénio pode ter na transição energética.

    Desta forma, a utilização do hidrogénio é vista como fundamental para realizar uma transição energética completa em todos os setores, pois apresenta características únicas que complementam as tecnologias que atualmente já estão a ser utilizadas. Contudo, a produção industrial de hidrogénio é, atualmente, feita sobretudo a partir de combustíveis fósseis (por exemplo, o gás natural), combinando metano com vapor de água.

    A utilização do hidrogénio como solução para a transição energética só faz sentido se a sua produção for ela própria feita com base em recursos renováveis. Todos os dias estamos mais perto do futuro, mais perto de uma mobilidade mais sustentável.

    Fontes :

    DGEG (2021). Economia do Hidrogénio. URL: https://www.dgeg.gov.pt/pt/areas-setoriais/energia/energias-renovaveis-e-sustentabilidade/hidrogenio/economia-do-hidrogenio/, acedido em setembro de 2021

    ENSE (2020). O Hidrogénio e os Combustíveis Fósseis. URL: https://www.ense-epe.pt/news/o-hidrogenio-e-os-combustiveis-fosseis/, acedido em setembro de 2021

    Fleet Magazine (2018). Frotas automóveis movidas a hidrogénio. URL: https://fleetmagazine.pt/2018/10/09/opiniao-fuel-cell-hidrogenio/, acedido em setembro de 2021

    Heid, B., Linder, M., Orthofer, A. and Wilthaner, M. (2017). Hydrogen: The next wave for electric vehicles?. November, McKinsey & Company

    Heid, B., Martens, C. and Orthofer, A. (2021). How hydrogen combustion engines can contribute to zero emissions. June, McKinsey & Company

    Hydrogen Council. (2021). Hydrogen Insights: A perspective on hydrogen investment, market development and cost competitiveness. February 2021, Hydrogen Council in collaboration with McKinsey & Company

    Hyundai (2020). Carros a hidrogénio. The Blue Academy by Hyundai. URL: https://blueacademy.hyundai.pt/carros-hidrogenio/, acedido em setembro de 2021

    Indústria e Ambiente (2020). Transição energética regresso ao futuro. Número 125 · novembro/dezembro 2020. Publicação bimestral

    McKinsey & Company (2019). The trends transforming mobility’s future. March 2019, McKinsey Quarterly

    Portal das Energias Renováveis (2021). Hidrogénio: Conceitos – Fonte. URL: http://www.energiasrenovaveis.com/DetalheConceitos.asp?ID_conteudo=26&ID_area=6&ID_sub_area=18, acedido em setembro de 2021

    The Economist (2021). Hydrogen: fuel of the future?. URL: https://www.youtube.com/watch?v=fkX-H24Chfw, acedido em setembro de 2021

    Toyota (2021). Toyota avança para o futuro da mobilidade a hidrogénio com segunda geração Mirai. URL: https://www.toyota.pt/world-of-toyota/articles-news-events/2020/Toyota-avanca-mobilidade-a-hidrogenio-com-2a-geracao-Mirai.json, acedido em setembro de 2021

    Veículos Elétricos

    Atualmente, os carros elétricos representam 2% das vendas a nível global e constituem 1% de todo o stock existente no mercado (IEA, 2021). De acordo com a International Energy Agency (2021), o stock de carros elétricos, em 2020, aumentou 43% face ao ano anterior. Com os progressos evidentes a nível tecnológico e com a diminuição de preços é previsível a expansão deste mercado.

    Segundo dados da European Automobile Manufacturers’ Association (ACEA, 2021) as vendas em 2020 foram constituídas por 47,5% de veículos a gasolina, 28% de veículos a diesel, 11,9% híbridos elétricos e recarregáveis, 10,5% elétricos e outras energias 2,1%. Em Portugal, 10,5% dos veículos vendidos foram elétricos com os híbridos elétricos a representarem 11,9% das vendas.

    Importa também analisar outras tipologias de veículos elétricos. Os veículos elétricos de duas rodas (bicicletas, motas e trotinetes, etc.) representam 20% de todos os veículos de duas rodas que circulam nas estradas (IEA, 2021). Relativamente aos autocarros elétricos, o mercado mais significativo (95%) é o chinês, assim como a maior parte dos pesados eletrificados estão também na China. A eletrificação do setor está a seguir em todas as direções com investimentos na aviação e nos veículos marítimos.

    Alternativas aos veículos de combustão

    Veículo 100% Elétrico

    O veículo 100% ou BEV – Battery Electric Vehicle ou Elétrico puro tem como meio exclusivo de propulsão um ou dois motores elétricos alimentados por baterias, as quais são carregadas através de uma ligação à rede elétrica.

    Atualmente existem modelos de todas as categorias de veículos com motor 100% elétrico: Passageiros e Mercadorias (Ligeiros e Pesados), Ciclomotores, Motociclos, Quadriciclos, Triciclos, etc. Tal como também bicicletas, trotinetes, barcos e aviões.

    Veículo Elétrico com extensor de autonomia

    O Veículo Elétrico com extensor de autonomia ou Híbrido em Série ou REX (Extended-Range Electric Vehicle) ou BEVx, é idêntico ao Veículo 100% Elétrico, mas incorpora um motor extra com outro combustível que serve de gerador para carregar as baterias do veículo em andamento. Estes veículos usam apenas o motor elétrico como meio de propulsão para se deslocarem. As baterias podem ser carregadas através de uma ligação à rede elétrica.

    Veículo Híbrido Plug-In

    O Veículo Híbrido Plug-In ou PHEV – Plug-In Hybrid Electric Vehicle ou híbrido plug-in em paralelo, é um veículo que além de usar a motorização elétrica para se deslocar, usa igualmente um segundo motor alimentado por combustível. Não obstante, as baterias podem ser carregadas através de uma ligação à rede elétrica (carregamento da bateria numa tomada).

    Carros a hidrogénio

    Os carros a hidrogénio, utilizam uma tecnologia, conhecida como pilha de combustível ou Fuel Cell, que combina oxigénio e hidrogénio para criar um fluxo de eletrões que dão energia ao motor elétrico e carregam a bateria de alta voltagem.

    Esta é considerada a mais ecológica de todas as tecnologias de mobilidade elétrica porque para além de não ter emissões diretas de CO2 ainda permite purificar o ar, emitindo apenas vapor de água. A tecnologia Fuel Cell também usa um motor elétrico, a diferença é que a energia que alimenta o motor é gerada no próprio automóvel ao combinar o hidrogénio com o ar (oxigénio) que gera eletrões que, por sua vez, vão alimentar o motor elétrico e a bateria de alta voltagem do carro a hidrogénio. Os carros a hidrogénio ainda não estão disponíveis em Portugal.

    Elétrico vs. Combustão

    Segundo a Environmental Protection Agency (EPA, 2018), as emissões médias de um veículo de passageiros com um motor de combustão é cerca de 250g/km de dióxido de carbono (CO2), com o diesel a poluir ligeiramente mais do que a gasolina (2690g/l de CO2 e 2350g/l de CO2 respetivamente), mas a ter mais economias na utilização. Para além do CO2, os veículos também emitem metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) pelo escape e libertam hidrofluorcarbonetos (HFCs) devido ao funcionamento do ar condicionado. O Regulamento (UE) nº 517/2014, publicado pelo Parlamento e Conselho Europeu, relativo aos gases fluorados com efeito de estufa (HFCs), impõe restrições à sua utilização. Algumas dessas restrições entraram em vigor a partir de 2020 e um carro fabricado atualmente, na Europa, já não possui HFCs.

    Estas são as emissões diretas que o veículo produz ao funcionar e ao queimar o combustível. Nas emissões diretas, os veículos elétricos têm (virtualmente) zero emissões, mas isto não significa que a sua energia seja 100% limpa. Visto que a eletricidade pode ter sido produzida numa central baseada em combustíveis fósseis.

    Para além das emissões diretas existem as emissões de todo o ciclo de vida do automóvel. Estas emissões incluem as relacionadas com a produção do combustível (extração de petróleo ou exploração de lítio), distribuição, descarte e reciclagem.

    A Transport & Environment (T&E) publicou um estudo, em abril de 2020, que compara as emissões de CO2 entre um carro com motor elétrico e um carro com motor de combustão interna. Neste estudo foram analisadas as emissões de CO2 durante o ciclo de vida de um carro elétrico, desde a exploração para obtenção dos minerais para fabrico das baterias, ao custo energético das mesmas, se forem fabricadas na China ou na Europa, ao fabrico do carro propriamente dito, e consumo energético durante a vida útil.

    A conclusão do estudo é que os carros elétricos na Europa emitem, em média, três vezes menos CO2 do que os carros a gasolina / diesel.

    No melhor cenário, com um carro elétrico a ser produzido e utilizado na Suécia, as emissões de CO2 são cerca de 81% menores que as emissões correspondentes a um carro a gasóleo / gasolina. Mesmo considerando o pior cenário de produção na China e de utilização de um carro elétrico na Polónia, onde o fabrico da eletricidade tem uma componente renovável ou de baixo carbono de apenas 15% a 20%, as emissões de CO2 do carro elétrico são cerca de 22% menores que as emissões correspondentes a um carro a gasóleo e 28% menores do que os carros a gasolina.

    Portugal tem um mix de produção de eletricidade com uma componente renovável acentuada, permitindo que a utilização de um carro elétrico seja mais eficiente em Portugal do que na média dos países da União Europeia (UE). Anualmente, Portugal produz, em média, mais de 50% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis ou de baixo carbono, sendo que pode chegar a valores diários que ultrapassam os 80% de eletricidade verde (Figura 2).

    O potencial de redução das emissões de CO2 com todos os veículos elétricos (automóveis, ligeiros, pesados, de passageiros, comerciais, autocarros, motociclos, ciclomotores, etc.), sendo já uma realidade com enorme potencial de crescimento, exige políticas nacionais e europeias que permitam a aceleração na transição para uma mobilidade de zero emissões, eliminando, o mais tardar em 2035, as vendas de veículos com motores de combustão interna, em linha com o Pacto Ecológico Europeu (Green Deal) anunciado pela Comissão Europeia em dezembro de 2019.

    A desinformação e as dúvidas levantadas relativamente à sustentabilidade dos Veículos Elétricos, por comparação com os Veículos a Combustão Interna, são constantes. É certo que nenhuma das alternativas é absolutamente isenta de impactes negativos para o meio ambiente. Se um carro elétrico é melhor que um carro a motor de combustão? A maioria dos estudos afirmam que sim. Se o hidrogénio é melhor do que um carro elétrico? Talvez. Vamos explorar esta questão na próxima semana!

    Fontes:

    European Environment Agengy – EEA (2021). Greenhouse gas emission intensity of electricity generation in Europe. URL: https://www.eea.europa.eu/data-and-maps/indicators/overview-of-the-electricity-production-3/assessment-1, acedido em setembro de 2021

    International Energy Agency – IEA (2021). Global Electric Vehicles Outlook 2021. URL: https://www.iea.org/fuels-and-technologies/electric-vehicles, acedido em setembro de 2021

    McKinsey & Company (2021). Why the automotive future is electric?. URL: https://www.mckinsey.com/industries/automotive-and-assembly/our-insights/why-the-automotive-future-is-electric?cid=other-eml-alt-mip-mck&hdpid=96d76f0c-5980-4930-976a-39c9ad7d3955&hctky=12030445&hlkid=997f52dcc51e43249d121c208c363bcf, acedido em setembro de 2021

    Transport & Environment – T&E(2020).How clean are electric cars? T&E’s analysis of electric car lifecycle CO₂ emissions. URL: https://www.transportenvironment.org/wp-content/uploads/2020/04/TEs-EV-life-cycle-analysis-LCA.pdf, acedido em setembro de 2021

    United States Environmental Agency – EPA) (2018). Greenhouse Gas Emissions from Typical Passenger Vehicle. URL: https://www.epa.gov/greenvehicles/greenhouse-gas-emissions-typical-passenger-vehicle, acedido em setembro de 2021

    UVE (2020). Emissões de CO2. Mito desfeito. URL: https://www.uve.pt/page/emissoes-de-co2-mito-desfeito/, acedido em setembro de 2021

    A Mobilidade do futuro

    O futuro das cidades está inevitavelmente ligado a um novo paradigma para a mobilidade urbana. Em termos gerais, a utilização do automóvel deve diminuir, novas soluções de mobilidade têm de surgir e as novas políticas para a mobilidade têm, simultaneamente, de respeitar os habitantes e a vida quotidiana.

    Atualmente, existem várias vertentes da mobilidade que são consideradas eixos essenciais para uma mobilidade de futuro, destacando-se, entre outros: a mobilidade inteligente, a mobilidade conectada, a mobilidade eletrificada, a mobilidade autónoma, a mobilidade partilhada e a mobilidade mais ativa. O ponto comum é que a Mobilidade do futuro é indissociavelmente sustentável e qualquer proposta de novas formas de mobilidade deve ser sinónimo de tudo isso. A tecnologia é, sem dúvida, o caminho para chegar ao futuro que se deseja e está subjacente a praticamente todos os sistemas de transporte.

    O papel da mobilidade no futuro das cidades

    Todas as cidades no mundo estão a ser confrontados com um conjunto de desafios urgentes, resumidos, em grande parte, pela necessidade básica de “ir de um lado para o outro”. A Descarbonização e a Humanização do Território são os dois conceitos-chave que vão moldar o futuro das cidades, também do ponto de vista da mobilidade.

    Por um lado, é necessário planear e gerir as cidades de forma que sejam diminuídas as emissões de CO2 para a atmosfera e, claramente, a mobilidade assume um papel muito relevante na qualidade do sistema. Por outro lado, a questão da humanização das cidades passa por devolver espaços ao peão, de oferecer boas áreas para as ruas, para as praças, para os parques, para os pontos de encontro, sabendo-se que estes fatores têm influência positiva na qualidade de vida da população.

    De uma forma geral, é necessário substituir e libertar os espaços entre edifícios, que foram ocupados pelas infraestruturas rodoviárias, por zonas para andar a pé e de bicicleta, para corredores de ligação aos transportes públicos, para formas mais inteligentes de mobilidade, mas, acima de tudo, para espaços de vivência onde os elementos verdes ou água dominam (sistemas de corredores verdes ou azuis).

    A forma como as cidades são pensadas, desenhadas e geridas determinará qual o meio de transporte mais utilizado. Se, por um lado, uma maior densidade populacional com menos espaço para estacionamento automóvel leva a um uso maior de soluções de transporte público, o contrário resulta num maior uso do transporte individual. As decisões tomadas hoje vão determinar como a mobilidade irá evoluir no futuro. Têm-se verificado, nos anos mais recentes, uma tendência para a criação de incentivos que levem ao uso do transporte público e de outros serviços partilhados mais atraentes para o utilizador.

    Tendências que vão marcar o futuro das cidades

    Várias projeções apontam que, até 2030, 60% da população mundial viverá nas cidades, acima dos 50% atualmente registados. Nesse mesmo período, é provável que mais de dois mil milhões de pessoas passem a fazer parte da classe média, com a maioria a viver em cidades de mercados emergentes. A extensão de transformação na mobilidade será diferente de cidade para cidade, tendo em conta fatores como a densidade populacional e estado dos sistemas de transporte público implementados.

    No que diz respeito aos carros de uso privado, existem quatro grandes tendências que estão a convergir: a conetividade no veículo, a eletrificação, o car sharing e a condução autónoma. Estas são soluções entusiasmantes, mas que dependem do nível de implementação e penetração nas cidades, não resolvendo, por si só, as questões ambientais e de congestionamento, podendo mesmo acentuar os problemas existentes.

    O transporte público tem recebido inúmeros investimentos, nomeadamente na eletrificação dos veículos, aumento da rede e acessibilidade à mesma. Em Portugal, através do Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART), nas Área Metropolitana do Porto (AMP) e de Lisboa (AML) foram implementadas medidas como a simplificação do tarifário e a criação de um passe único nos transportes públicos nos 17 e 18 concelhos que compõe, respetivamente, a AMP e AML.

    O novo passe único custa no máximo 40 euros mensais por utente e permite viajar em todos os operadores de transportes públicos na AML (Passe Navegante Metropolitano) e na AMP (Passe Andante Metropolitano). Para além desta mudança, passam a existir os passes municipais para os concelhos que integram a AML e a AMP, com o custo de 30 euros mensais para viagens dentro do concelho escolhido. Os passes familiares são também uma novidade na AML com o custo máximo de 80 euros, as tarifas socias e de estudante foram também alvo de redução no tarifário.

    Esta tendência não se restringe à melhoria das infraestruturas e expansão física, mas também à digitalização, utilização de open data e civic technologies e novos modelos on demand e partilhados. A Mobilidade como Serviço (MaaS) permite aos utilizadores terem acesso a aplicativos móveis que permitirão reservar e pagar qualquer viagem de transportes públicos, táxi, aluguer de automóveis, bike-sharing, ride-sharing e car sharing. A regulação destas novas soluções tem também de evoluir, pois é evidente que existem desafios regulatórios a resolver, especialmente quando vemos a concorrência destas novas soluções aos negócios mais tradicionais.

    A Mobilidade urbana tem também de ser sinónimo de habitabilidade urbana. Walking e Cycling são formas de mobilidade ativa em que existe uma redução significativa do consumo de energia, um impacte negativo menor sobre o território e diversos benefícios relevantes ao nível da saúde. O desafio está em criar condições e adaptar as cidades novamente a estes modelos. Desta forma, os esforços devem ser direcionados no sentido de reduzir e restringir o acesso dos carros particulares às cidades (ou partes delas) garantindo ruas mais atraentes com redes pedonais e cicláveis mais seguras e abrangentes.

    A cidade de Lisboa tem apostado na mobilidade mais ativa e já conta com 60 quilómetros de ciclovias e com um serviço de bicicletas partilhas (GIRA). Existem bicicletas clássicas e elétricas a preços muito acessíveis que vão desde o passe anual de 25 euros ao passe diário de 2 euros. Desde 2000, o município de Aveiro disponibiliza um sistema de bike-sharing a custo zero, a BUGA – Bicicleta de Utilização Gratuita de Aveiro. Para usufruir deste meio de transporte mais ecológico é apenas necessário se deslocar à loja BUGA do Mercado Manuel Firmino e levar uma das 300 bicicletas disponíveis.

    Outro ponto essencial é a logística urbana que gera um significativo número de deslocações, particularmente destinadas à distribuição final de cargas de pequeno porte. Esta realidade compreende muitos veículos, inúmeras viagens e quilómetros percorridos com impactes negativos sobre o ambiente urbano e a qualidade de vida dos cidadãos. Acresce ainda que estes procedimentos de carga e descarga são realizados a partir do estacionamento indevido, frequentemente em cima dos passeios ou em segunda fila, o que prejudica a circulação de outros modos de transporte e o uso do espaço público para distintas funções. Por outro lado, o aumento do comércio eletrónico tem contribuído de forma muito relevante para o aumento da pressão sobre as cidades. Algumas soluções como bicicletas de carga (cargo bikes e eletric cargo bikes) e esquemas colaborativos de logística (shared mobility for freight e crowdshipping) já estão a ser colocados em prática.

    Os CTT são pioneiros na incorporação de veículos elétricos na sua frota automóvel que conta atualmente com 321 veículos alternativos, conferindo-lhe a distinção da maior frota alternativa do País no setor dos transportes e da logística. Em simultâneo, os CTT estão a efetuar um conjunto alargado de testes com veículos elétricos, nomeadamente ligeiros de mercadorias, ‘scooters’ e triciclos. Outro exemplo é o da transportadora DHL que está a ser pioneira da logística ecológica oferecendo aos seus clientes um “Portfólio de Logística Verde” com soluções para uma cadeia de fornecimento mais ecológica, tais como: o DHL Green Danmar que utiliza um frete marítimo que é 5% mais eficiente em termos de carbono do que a média da indústria, o DHL Warehousing com armazenamento ecológico e opção de partilha de armazéns e o DHL Managed Transport com tecnologias de transporte inovadoras e combustíveis alternativos.

    Conceitos emergentes: Cidades de 15 minutos

    A distância que vai de casa ao trabalho, à escola, ao supermercado, ginásio ou café explica o tempo passado todos os dias em deslocações, na maioria das vezes feitas em transporte individual. Qual a razão que leva as pessoas a passar o equivalente a um dia de trabalho por semana em deslocações? A resposta está no facto de termos cidades onde existe uma separação espacial das funções: escolhe-se viver numa zona, trabalha-se noutra e algures entre as duas adquirem-se os bens essenciais. Se tudo o que é essencial estivesse a uma distância de 15 minutos a pé ou de bicicleta, ganhava-se tempo e sustentabilidade.

    Assim nasceu o conceito urbano de “Cidade de 15 minutos” que não é propriamente novo, mas ganhou uma nova roupagem em 2020, como consequência da pandemia e pela experiência do confinamento.

    Segundo Carlos Moreno, criador deste modelo, urbanista, investigador e professor da Universidade de Sorbonne, uma cidade de 15 minutos “tem de garantir aos moradores acesso a supermercados, mercearias, cuidados de saúde, educação e espaços verdes a curta distância”. Assim como o mercado de habitação deve ser suficientemente flexível para que as pessoas consigam viver perto do local onde trabalham ou, então, deve existir uma aposta no teletrabalho.

    As cidades têm de deixar de ser monofuncionais e passar a ser multifuncionais, oferecendo mais serviços a distâncias menores. A primeira cidade a adotar a “cidade de 15 minutos” (“ville de quarte d’heure”) foi Paris.

    O que é uma cidade de futuro? Quais as tendências que vão marcar o futuro das cidades? Como será a mobilidade do futuro (ou como desejamos que seja)? Que cidades vão liderar esta revolução na mobilidade? E quando é esse futuro? Como em tudo, esta é uma transformação que não acontecerá em todas as cidades ao mesmo tempo. Uma certeza existe: as necessidades de mobilidade das pessoas vão ser cada vez maiores, criando uma pressão cada vez maior às infraestruturas urbanas existentes e aos seus utilizadores, sendo urgente encontrar soluções que permitam o desenvolvimento urbano sustentável.

    Fontes:

    Banza, M. (2021). Cidade de 15 minutos. URL: https://lisboa—cidade-de-15-minutos.webnode.pt/, acedido em setembro de 2021

    Centro de Portugal (2021). BUGAs – Bicicletas Gratuitas de Aveiro. URL: https://www.centerofportugal.com/pt/poi/bugas-bicicletas-gratuitas-de-aveiro/, acedido em setembro de 2021

    CTT (2021). Sustentabilidade: Propostas e iniciativas. URL: https://www.ctt.pt/grupo-ctt/sustentabilidade/projetos-e-iniciativas/frota-ecologica-ctt?language_id=1, acedido em setembro de 2021

    DHL (2021a). Os Nossos Compromissos com a Sustentabilidade. URL: https://www.dhl.com/pt-pt/home/sobre-nos/sustentabilidade.html, acedido em setembro de 2021

    DHL (2021b). Green Logistics. https://www.dhl.com/global-en/home/logistics-solutions/green-logistics.html, acedido em setembro de 2021

    Dinheiro Vivo (2020). A ferramenta ideal para descarbonizar as nossas cidades. URL: https://www.dinheirovivo.pt/opiniao/a-ferramenta-ideal-para-descarbonizar-as-nossas-cidades-12687398.html, acedido em setembro de 2021

    Emel (2021). GIRA – Bicicletas de Lisboa. URL: https://www.gira-bicicletasdelisboa.pt/passes-e-tarifarios/, acedido em setembro de 2021

    Fleet Magazine (2019). A mobilidade como um serviço. URL: https://fleetmagazine.pt/2019/04/09/mobilidade-como-servico-maas/, acedido em setembro de 2021

    Fonseca, F.; Conticelli, E.; Papageorgiou, G.; Ribeiro, P.; Jabbari, M.; Tondelli, S.; Ramos, R. (2021). Levels and Characteristics of Utilitarian Walking in the Central Areas of the Cities of Bologna and Porto. Sustainability 2021, 13, 3064. https://doi.org/ 10.3390/su13063064

    Jornal de Negócios (2020). A cidade dos 15 minutos e o desafio do bem-estar. URL: https://www.jornaldenegocios.pt/sustentabilidade/smart-cities/detalhe/a-cidade-dos-15-minutos-e-o-desafio-do-bem-estar, acedido em setembro de 2021

    Jornal Económico (2020). Será a cidade do futuro humanizada. URL: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/sera-a-cidade-do-futuro-humanizada-639462, acedido em setembro de 2021

    Manzolli, J.A.; Oliveira, A.; Neto, M.d.C. (2021). Evaluating Walkability through a Multi-Criteria Decision Analysis Approach: A Lisbon Case Study. Sustainability 2021, 13, 1450. https://doi.org/10.3390/su13031450

    Marques. R. P. (2019). Humanização das cidades: reinventar o território urbano da Covilhã. Lisboa: FA, 2019. Dissertação de Mestrado.

    Mckinsey & Company (2019). The future of mobility is at our doorstep. URL:https://www.mckinsey.com/industries/automotive-and-assembly/our-insights/the-future-of-mobility-is-at-our-doorstep, acedido em setembro de 2021

    Mckinsey & Company (2019). The trends transforming mobility’s future. URL: https://www.mckinsey.com/industries/automotive-and-assembly/our-insights/the-trends-transforming-mobilitys-future, acedido em setembro de 2021

    Melo, S. & Baptista P. (2017). Evaluating the impacts of using cargo cycles on urban logistics: integrating traffic, environmental and operational boundaries. Eur. Transp. Res. Rev. (2017) 9: 30. DOI 10.1007/s12544-017-0246-8

    Mensagem (2021). Carlos Moreno e a cidade de 15 minutos. URL: https://amensagem.pt/2021/05/08/carlos-moreno-cidade-15-minutos-entrevista/, acedido em setembro de 2021

    Público (2021). A mobilidade do futuro terá de ser sustentável e feita à medida. URL: https://www.publico.pt/2021/06/08/local/noticia/mobilidade-futuro-tera-sustentavel-medida-1965613, acedido em setembro de 2021

    Publico (2021). Cidades de 15 minutos: daqui a quanto tempo?. URL: https://www.publico.pt/aovivo/detalhe/cidades-15-minutos-daqui-tempo-223, acedido em setembro de 2021

    Mobilidade Urbana Sustentável

    A mobilidade urbana desempenha um papel vital na sociedade e na economia. A nossa qualidade de vida e bem-estar depende de um sistema de transportes eficiente e acessível. Simultaneamente, os transportes são uma fonte fundamental de pressões ambientais na União Europeia (UE) e contribuem em larga escala para as alterações climáticas, qualidade do ar e ruído. Ocupam também grandes faixas de terra e contribuem para a expansão urbana, a fragmentação de habitats e a impermeabilização das superfícies.

    Emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE) nos transportes

    Os transportes consomem um terço de toda a energia final na UE. A maior parte dessa energia provém do petróleo. Isto significa que os transportes são responsáveis por uma grande parte das emissões de GEE da UE, contribuindo significativamente para as alterações climáticas. Enquanto a maioria dos outros setores económicos, como a produção de energia e a indústria, reduziram as suas emissões desde 1990, as dos transportes aumentaram.

    De acordo com os dados mais recentes da Agência Europeia do Ambiente, os transportes representam mais de um quarto das emissões totais de GEE e dessas, mais de 70% têm origem no transporte rodoviário, sendo que os carros são responsáveis por mais de 60% destas. O restante tem como principal origem a navegação e a aviação.

    A inversão desta tendência pode ainda não estar à vista, mas algum trabalho está a ser realizado. Isso faz do setor dos transportes um importante obstáculo à concretização dos objetivos da UE em matéria de proteção do clima.

    Os transportes continuam também a ser uma fonte significativa de poluição atmosférica, especialmente nas cidades onde a densidade populacional é mais elevada. Os poluentes atmosféricos, como a matéria particulada e o dióxido de azoto (NO2), prejudicam a saúde humana e o ambiente. Embora a poluição atmosférica causada pelos transportes tenha diminuído na última década, devido à introdução de normas de qualidade dos combustíveis, de emissões dos veículos e de utilização de tecnologias mais limpas, as concentrações de poluentes atmosféricos continuam a ser demasiado elevadas, com consequências para a qualidade de vida da população. Juntamente com a poluição sonora, estes são dois dos grandes problemas de saúde ambiental associados aos transportes.

    Mobilidade + sustentável

    Num mundo cada vez mais preocupado e consciencializado das consequências das atividades humanas, é fulcral que os organismos públicos estejam munidos de diferentes meios para analisar e avaliar os seus progressos, que se traduzirão em melhores condições de vida para a população atual e futura, bem como na melhoria generalizada do próprio meio ambiente.

    A necessidade de um uso racional dos transportes, a sua importância para a eficiência da gestão da cidade, e por ser essencial às necessidades humanas, levou o conceito de “sustentabilidade” a ser adicionado ao de “mobilidade urbana”, surgindo, então, o novo conceito de “mobilidade urbana sustentável”.

    Como mencionado anteriormente, os transportes (principalmente os carros) têm impactes ambientais significativo, assim como os impactes económicos e sociais que decorrem de acidentes e mortes nas estradas e falta de acesso a rede de transportes coletivos. A mobilidade urbana é apresentada como tema transversal em todos os ODS, mas pode destacar-se a concretização do “ODS 11 – Cidades e comunidades sustentáveis” como um guia neste tema.

    Transportes e qualidade de vida

    O conceito de qualidade de vida relaciona-se com a sustentabilidade com a participação popular, com a proteção dos ecossistemas, com a satisfação das necessidades básicas dos cidadãos, com uma gestão baseada na solidariedade social, na visão holística dos problemas e na redução das iniquidades sociais. Devido ao aprofundamento da “consciência ecológica” provocada pelo agravamento dos problemas ambientais globais e pela degradação ambiental urbana devido ao acelerado processo de urbanização nos anos 70.

    Os transportes podem afetar a qualidade de vida, tanto de forma positiva como negativa. Facilitam o acesso das pessoas aos serviços, diminuem o isolamento e aumentam as possibilidades de trabalho e as atividades sociais – fatores que potencialmente podem contribuir para melhorar o funcionamento das cidades sendo também, contudo, potenciais causadores de impactos negativos (através, por exemplo, dos acidentes e da poluição do ar).

    Sob o ponto de vista das deslocações, é possível melhorar a qualidade de vida urbana, segundo os princípios da mobilidade urbana sustentável, que é entendida como um conjunto de políticas de transporte e circulação que visa proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço urbano, deve priorizar os modos não-motorizados e coletivos (que não gerem segregação espacial), e ser socialmente inclusiva e, também, ecologicamente sustentável.

    Pontevedra, a cidade sem carros

    Viver numa cidade sem carros? Parece impossível. Em Pontevedra, uma cidade de 83 mil habitantes na Galiza, no noroeste de Espanha, é mesmo isto que acontece no centro histórico. Tudo começou há quase 20 anos quando Miguel Anxo Fernández Lores apresentou esta proposta.

    Pontevedra está livre de veículos no centro desde 2000 e desde então a poluição diminuiu consideravelmente. De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pela Direção Geral de Transportes, a utilização de carros caiu 77% e as emissões de CO2 baixaram 66. A taxa de criminalidade também diminuiu, tal como os acidentes de carro. O turismo cresceu e o centro de Pontevedra ganhou 12 mil novos habitantes desde que a zona pedestre nasceu, assim como a população de crianças entre os 0 e 14 anos também aumentou 8%.

    É possível “caminhar a cidade” de um lado ao outro em cerca de 30 minutos, como demonstra o mapa seguinte (metrominuto Pontevedra) criado pela Câmara Municipal de Pontevedra. A rede de ciclovias é muito ampla e também uma boa opção para quem se desloca na cidade.

    Segundo um artigo do “Citylab” de novembro de 2018, Pontevedra continua a expandir a área de pedestres do centro para a periferia, libertando um total de 669 000 metros quadrados, anteriormente dominados por carros. A transformação está só a começar.

    Fontes:

    Citylab (2018). What Happens to Kid Culture When You Close the Streets to Cars. URL: https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-11-26/what-car-free-streets-mean-for-family-friendly-culture, acedido a setembro de 2021.

    EEA (2020a). Air quality in Europe 2020. URL: https://www.eea.europa.eu/publications/air-quality-in-europe-2020-report, acedido a setembro de 2021.

    EEA (2020b). Greenhouse gas emissions from transport in Europe. URL: https://www.eea.europa.eu/data-and-maps/indicators/transport-emissions-of-greenhouse-gases/transport-emissions-of-greenhouse-gases-12, acedido a setembro de 2021.

    EEA (2021). Mobilidade Urbana Sustentável. URL: https://ec.europa.eu/info/eu-regional-and-urban-development/topics/cities-and-urban-development/priority-themes-eu-cities/urban-mobility_pt#estratgias-e-polticas, acedido a setembro de 2021.

    Euronews (2019). Potevedra sem carros: menos multas, menos acidentes, menos poluição. URL: https://pt.euronews.com/2019/08/08/pontevedra-sem-carros-menos-multas-menos-acidentes-menos-poluicao, acedido a setembro de 2021.